Quem pretende cursar um mestrado deve correr atrás de informações e estar preparado para ser avaliado em alguns quesitos
No último ano da graduação, o universitário já sabe identificar se tem vocação –
ou não – para a pesquisa. É algo que vai além do mero domínio da técnica de
pesquisar, habilidade obrigatória para a produção de uma monografia. É o gosto
pela leitura e pela produção de conhecimento científico. Um curso de mestrado
pode garantir muita satisfação a quem se sente atraído por esse universo.
O título de mestre proporciona prestígio social, um evidente acréscimo de
cultura e, muitas vezes, compensações financeiras – especialmente se o objetivo
do aluno é seguir a carreira de professor universitário. Entretanto, também há
espaço para quem busca um lugar no mercado de trabalho, sem se envolver com
docência. Há poucos anos, surgiram os mestrados profissionais com um número de
vagas ainda bem menor do que as opções tradicionais.
Para quem tem vontade de ser mestre, mas não sabe por onde começar, o Vida na
Universidade explica quais são as etapas iniciais do processo e dá algumas dicas
práticas para ajudar na conquista de uma vaga. Os tópicos a seguir foram
elaborados a partir de informações obtidas com as universidades Federal (UFPR),
Tecnológica (UTFPR), Católica (PUCPR), Positivo, Tuiuti e as estaduais de Ponta
Grossa (UEPG), Londrina (UEL) e Maringá (UEM), além do depoimento de
mestrandos.
Seja pró-ativo
A lógica burocrática dos mestrados e doutorados é diferente da existente nas
graduações. Tudo é muito descentralizado – cada departamento ou programa de
mestrado define suas próprias regras. Não há uma prova única para todos os
cursos, como ocorre no vestibular. Se a universidade oferece um mestrado em
Educação e outro em Direito, por exemplo, cada um lançará seu próprio edital, em
geral, independentemente. Como as vagas de mestrado são poucas, a propaganda
desses cursos é mais discreta. Diante disso, o estudante deve ser mais pró-ativo
e buscar informações com as universidades. Visite com frequência o site do
mestrado. É lá que será publicado o edital que estabelece prazos, regras e
condições para participar da seleção, data das provas e entrevistas,
bibliografia recomendada, professores disponíveis para orientação e outras
informações. Alguns programas publicam o edital todos os anos no mesmo mês.
Currículo Lattes
Alguns documentos são comuns à maioria dos programas de mestrado, como uma
fotocópia autenticada do histórico escolar da graduação. Entre outros fatores,
boas notas durante a faculdade influenciam na escolha do candidato. Outra
exigência aos inscritos é a necessidade de apresentar um currículo Lattes, que
deve ser feito pela Plataforma Lattes (http://lattes.cnpq.br) do Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico (CNPq). Toda a experiência do estudante com pesquisa
deve constar nesse currículo, como a participação em congressos, a apresentação
de trabalhos em semanas acadêmicas ou a publicação de artigos em revistas
científicas. Mesmo que o estudante considere que não teve experiências
relevantes com pesquisa, a criação de um currículo é obrigatória, já que, se
aprovado, o estudante atualizará esse documento no decorrer do mestrado. Caso
tenha dúvidas sobre o que é considerado pelos avaliadores, pergunte à secretaria
do curso.
Pré-projeto
Também chamado de anteprojeto, trata-se de um resumo do que o estudante
pretende pesquisar. Na maioria dos programas de mestrado, o estudante deve
apresentar o pré-projeto ao se inscrever, mas há casos em que é possível
elaborá-lo na fase inicial do curso. Para quem precisa apresentar o resumo na
candidatura, é essencial que ele se encaixe em uma das linhas de pesquisa do
mestrado – temas trabalhados pelos professores orientadores e que fazem parte do
programa do curso. Se o pré-projeto apresentado não está alinhado a essas
diretrizes, provavelmente o candidato sairá em desvantagem na disputa por uma
vaga. As secretarias dos mestrados também podem auxiliar os candidatos com
modelos de pré-projetos. Alguns tópicos cobrados são título, relevância da
pesquisa, objetivos gerais e específicos e bibliografia sobre o assunto. O
projeto definitivo é construído durante o curso, junto com o professor
orientador.
Prova e idioma
Todo programa de mestrado aplica uma prova dissertativa como etapa
eliminatória do processo seletivo. O conteúdo a ser estudado é anunciado no
edital. Normalmente, são recomendados livros que tenham relação com a linha de
pesquisa escolhida pelo candidato. As provas costumam ter poucas questões que
exigem análise aprofundada de algum tema e a capacidade de relacionar assuntos e
autores distintos. O domínio de outro idioma também é levado em consideração
pelos avaliadores. Eles partem do princípio de que o estudante é capaz de ler
livros em outras línguas, já que, dependendo do tema escolhido, é possível que
não haja bibliografia especializada com tradução para o português. Muitos
programas incluem na seleção uma prova para medir o domínio do estudante em
outras línguas. Não é preciso ser fluente para ser aprovado. O uso de outro
idioma durante o curso geralmente é instrumental, ou seja, ler e entender textos
em inglês – ou outra língua – é suficiente.
Entrevista
Em todos os programas de mestrado consultados, a entrevista só ocorre após a
aprovação na prova dissertativa e de idiomas. Nessa fase, cada candidato recebe
um horário específico para comparecer diante de alguns professores do programa.
A quantidade de entrevistadores varia e nem sempre o professor que o candidato
pretende ter como orientador está presente. Esse é o momento em que as condições
concretas de o candidato levar o mestrado adiante são avaliadas. São feitas
perguntas sobre o tempo disponível para a pesquisa, condições financeiras para
arcar com mensalidade (no caso das instituições privadas) ou de se sustentar
apenas com o dinheiro de uma bolsa, quando o candidato pleiteia ou já tem uma.
Esclarecimentos sobre a ideia apresentada no pré-projeto também são cobrados,
portanto, é importante saber explicar oralmente com clareza o que pretende
pesquisar e por que.
Bolsa de estudo
Nas universidades públicas, os programas de mestrado não são pagos, mas os
estudantes são incentivados a se dedicarem com exclusividade à pesquisa, abrindo
mão de vínculos empregatícios. Para viabilizar a opção de quem se dedica
totalmente ao mestrado, a Capes e o CNPq, ambos ligados ao governo federal,
fornecem bolsas de estudo às universidades, que as distribuem por meio de
seleções. Atualmente, o valor das bolsas é de R$ 1.350. O CNPq e as fundações
estaduais de amparo à pesquisa, como a Fundação Araucária, também oferecem
auxílios que podem ser solicitados individualmente. Além dessas opções, há
fundações e institutos privados em todo o mundo que concedem bolsas a candidatos
que se dedicam a pesquisas na área de interesse dessas instituições. Para quem
quer cursar um mestrado em uma instituição privada, grandes redes bancárias
oferecem linhas de crédito específicas para o financiamento de cursos de
mestrado e doutorado.